
Semana passada houve em Curitiba mais um despejo de pessoas, dessa vez da calçada. Eu tirei a foto acima quando chegou a comida que em conjunto nós que estávamos lá compramos. A fome era inquestionável, a tristeza de ver o real Estado em ação me valeu mais que muita teoria.
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Queria escrever um texto desde então, mas faltava algo. Por fim li um outro texto que eu havia escrito neste blog chamado "Destruição", no qual eu falava da minha ainda persistência em sonhar e lutar. Abomino o conformismo e a hipocrisia, acredito que até por isso o blog surgiu.
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Também estou inserido nessa sociedade de fracassos, onde a escada do sucesso é feita por pessoas: quanto mais você pisa nelas, mais você sobe. Vivo em sintonia com a boemia, não escondo minha personalidade atrás de moralismo ou medo, mesmo assim não caio na sutil vida alienada. Fazer-se omisso é admitir a sua irrelevância. Entretanto não há necessidade de extremismo também, sei bem que a luta por uma sociedade melhor é muitas vezes apenas uma campanha política, um faz votos. Mas não admito ver o que vi semana passada, além de muitas outras injustiças pálidas e quase invisíveis a nós. "O que adianta escrever?", dizem-me sempre, serve para você ler. "Comunista!" também está na moda agora, apenas me mostra a realidade do Brasil: uma juventude bitolada, massa ignara, graduados ou não. Prezamos pela liberdade na nossa selva capitalista, mas que liberdade que nos oferecem? Comprar ou comprar, o que você escolhe? Ter duas marcas de margarina produzidas pela mesma empresa como escolha realmente me faz livre?
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Não digo para sermos mártires, apenas não quero mais uma geração fiel ao status quo, mais uma geração que abaixa a cabeça para dogmas! Devemos ser bulêmicos quando nos fizerem engolir ideias e ideais forçadamente; orgulhosos pelo que somos e não por não termos; fogo do mundo. É isso que somos: fogo. Capazes de revolucionar, de destruir fortalezas e decapitar reis. A geração Coca-cola se vai, fica a geração dos problemas da modernidade, das crianças que desde o nascimento são abençoadas pela frase "não é culpa sua", que sorrateiramente injeta o "não faça nada".
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A primeira mudança é a mudança de si, saber que a complitude não é comprada, nem adquirida por alheios. Sem isso não há um "quem"; no máximo um "como?". Sei que é difícil, mas o simples sentimento de revolta, o tremer pelas injustiças do mundo já me fazem sentir a humanidade. Sei que não sou máquina e que meu sangue é fogo.
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*o texto está jogado, vou tentar escrever melhor sobre alguns tópicos deles nos próximos posts. abraços.



