Camuflagem

Olhos atentos, passo despercebido
Ninguém me nota e nunca notará
Me camuflo de homem, de gente, de tecido
Brilho solitário, amo o vazio, vivo por um fio

Corro pelo mundo, vejo a injustiça
Estou camuflado, ninguém me nota, ninguém me pergunta
Não sou incomodado, sou VIP, sou alguém
Vivo como os outros, sou os outros, nada além

E se algo me dói, me machuca, me faz pensar
Mudo logo de cor, e finjo cegueira portar
Sou vazio, sou homem, mato e desmato
Sugo e destruo, lambo os beiços com o sangue dos inocentes

A minha camuflagem é vista por todos
Comprada no mais belo shopping do mundo
O shopping da vergonha e da ordinariedade
Exibo meu ouro, tirado da vida dos africanos

O choro não me comove mais
A violência se tornou algo tão natural
Tudo nesse mundo é banal
Não me preocupo mais, desisti rapaz

Agora ponho minha camuflagem e sorrio para o mal
Passo despercebido, coisa tão natural
Rio dos pobres que perderam tudo na televisão
Sofro pelos ricos que morreram num avião

Camuflo quem sou

Aliás, quem sou eu?

Cego os meus olhos para o mundo
Tapo meus ouvidos para o próximo
Fecho-me no meu casulo
E finjo viver, o que importa é parecer

Sou o bicho homem
Que virou camaleão
.

A Kari vai ficar brava, mas pra variar eu não gostei desse poema, hehehe. Esse fim de semana tem outro vestibular, e depois posso descansar de vez e visitar os blogs regularmente! Obrigado a quem vem comentando. Um beijão!

Hoje vou deixar uma música do Chico Buarque por aqui.


Ode à contemporaneidade.

Semana de prova na faculdade, a maior correria, mas aproveitado para deixar um texto maravilhoso que minha amiga achou em um livro, o autor é Paulo Paes. Ele nos fala sobre uma ssunto que a muito me fascina: o capitalismo e seu maior símbolo no mundo contemporâneo: o shopping. Tudo bem que todos nós temos nossa cota diária ao capitalismo, e que poucos desprezam uma ida ao shopping. Mas isso não nos torna cegos diante da realidade dessa sociedade que só se perde no mundo do consumismo, tentando se encontrar nos sentimentos.

"Ode ao Shopping Center

Pelos teus círculos
Vagamos sem rumo
Nós almas penadas
Do mundo do consumo.

Do elevador ao céu
Pela escada do inferno:
Os extremos se tocam
No castigo eterno.

Cada loja é um novo
prego em nossa cruz.
Por mais que compremos
estamos sempre nus.

Nós que por teus círculos
Vagamos sem perdão
À espera (até quando?)
Da Grande Liquidação."

Eu x Sistema

É. Um ano prisioneiro desse sistema injusto que nos manipula, nos enquadra em uma embalagem pré-fabricada de pequenos advogados, médicos, engenheiros. Perdemos vida estudando coisas completamente inúteis, decorando fórmulas, datas, órgãos, funções... Aí vem o vestibular, é até engraçado, a competitividade, a concorrência, a luta pela vaga. E ninguém gosta de perder nessa sociedade moderna. Eu provavelmente perdi, fiquei nervoso no dia e mandei mal na prova. E agora estou meio que acordando dessa lavagem cerebral, se bem que esse ano aproveitei de mais, não consegui bitolar nos estudos, mas perdi muito tempo com eles.

Por isso é bom sonhar não é mesmo? Uma utopia onde estudassemos o que gostamos, corressemos atrás de nossos sonhos, não estudassemos apenas por dinheiro, para gastar e gastar. Infelizmente vivemos nessa sociedade podre que valoriza o ter, a burrice e a imagem.
Seria tão bom se eu pudesse pular tudo isso, tão mais fácil. Mas não tem jeito. E agora o que fazer? Entrar em outra universidade, ou começar tudo de novo ano que vem para entrar na federal?

Sei lá.

Por enquanto só quero um pouco de férias, que aos poucos sinto chegando (como aquele raio de sol depois da tempestade) e logo me lembro que há muito mais do que isso. A vida tá aí, vou aproveitá-la, beber calmamente o seu líquido, depois eu penso no que será. Agora só quero ser.

Ah, não podia deixar de agradecer a Pri por ter cuidado do Rotineiro, adorei os textos! Dia 3 sai quem passou para a segunda fase da UFPR, se por algum milagre meu nome estiver lá eu os aviso ok?

Um beijão!

Filosofando a Amizade

Folheando uma revista de filosofia achei o seguinte texto:


"Distância e longa ausência prejudicam qualquer amizade, por mais triste que seja admití-lo. As pessoas que não vemos, mesmo os amigos mais queridos, aos poucos se evaporam no decurso do tempo até o estado de noções abstratas, e o nosso interesse por elas torna-se cada vez mais racional, de tradição. Por outro lado, conservamos interesse vivo e profundo por aqueles que temos diante dos olhos, nem que sejam apenas os animais de estimãção. Tão vinculada aos sentidos é a natureza humana. Por isso, aqui também são sábias as palavras de Goethe: 'O tempo presente é um deus poderoso'.
Os amigos da casa são chamados assim com precisão, pois são amigos mais da casa do que do dono. Portanto, assemelham-se antes aos gatos do que aos cães. Os amigos se dizem sinceros; os inimigos o são. Dessa forma, deveríamos usar a censura destes para nosso autoconhecimento, como se fosse um remédio amargo. Os amigos são raros na necessidade? Não, pelo contrário! Mal fazemos amizade com alguém, e logo ele estará em dificuldade, pedindo dinheiro emprestado."
Arthur Schopenhauer, filósofo alemão (1788-1860)
em Aforismos para a Sabedoria de Vida


Os admiradores de Schopenhauer que me desculpem, mas logo quando lí esse texto me impressionei como ele coloca a amizade como algo tão banal, e que até parece ser apenas uma questão de interesse. Talvez seja, mas não gosto de pensar dessa forma. Quanto à distância arruinar o sentimento, acho que a internet tranformou isso completamente, quantos amigos virtuais são, muitas vezes, tão amigos quanto àqueles que estão bem diante aos nossos olhos todos os dias, quantos amores virtuais hoje existem e de forma tão maravilhosa, sem que necessariamente as duas partes se encarem nos olhos ao dizer juras de amor.
E quantos amigos estão a tanto tempo longe de nós , mas sabemos que assim que precisarmos de um apoio ele estará lá para nos ajudar. A telefonia, a internet encurtam as distancias e transformam de vez a relação espaço-tempo no mundo atual. Transformando, assim, não só a filosofia, mas também a sociologia.
Nos tornamos cada vez mais próximos, apesar de tão separados. Quem sabe se Schopenhauer estivesse no século XXI ele pensaria um pouco diferente? Mas não perca contato com aquele seu amigo de longa data, só para o caso de ele estar certo.

Eu e o outro.


al.te.ri.da.de sf. Caráter ou qualidade do que é outro.

ou.tro pron. pl. 1. Diverso do primeiro;diferente de pessoa ou coisa especificada 2. Seguinte, imediato 3. O resto

Aurélio

Somos multidão. Milhares de pessoas que transitam dia-a-dia por essa Terra. Milhares de pensamentos, de vontades, de idéias, de culturas. Se cada cabeça é um mundo, imagine quantos mundos existem em nosso planeta. Imaginou? Agora pense em como tantos mundos transitam entre sí, em quantas interseções há entre eles. E nessas interseções, há também choques. Certas pessoas simplesmente por não conseguirem compreender o outro, a alteridade, desconsideram a forma de pensar daquele, por achar que é superior.

Vivemos numa era globalizada, numa global village, e por que há ainda tanta intolerância? Porque há pessoas que ao ver o diferente, o tacham de estranho e errado. Porque o ser humano vive de divisões, branco e negro, Ocidente e Oriente, pobres e ricos, 1° mundo e

3° mundo. Como pode haver globalização dessa forma? Pois se a mesma fosse uma verdade estaríamos vivenciando uma troca cultural e não certas culturas se sobrepondo a outras, os brancos se sobrepõem aos negros, o Ocidente dita a moda no Oriente, os pobres ssão subjugados pelos ricos, o 1° mundo exporta cultura para o 3° mundo.

É como se determimadas culturas ou "visões de mundo" não fossem boas, ou interessantes, e então se padroniza um modelo de cultura ideal para o mundo. E aqueles que não o aceitam são taxados de retrógrados, conservdores, quanto não fundamentalistas, fanáticos, terroristas. Mas quem é o terrorista?
Nunca nos vemos no outro, esse é o problema da nossa sociedade. O outro, simplesmente é o outro, o resto, tal qual nos cita Sr. Aurélio.

Ô Recife, ô calor...



foto por Raul Kawamura, em "Recife em Retratos"

1.

"Olha a água. Olha a água!"
Meio dia.


Ando apressada o calor castiga.

"38°? Isso ta mais pra 138°"

"é a cinquenta, é a cinquenta, cinquenta"



2.

Ônibus por todos os lados, pedestres apressados.

Buzinas.

Olho para o céu.
Azul, sem nuvens.

O sol mais parece uma bola de fogo que teima em se atirar contra nós.

Um belo dia para uma praia, se não fosse uma segunda-feira...

Cruzo as pontes,

as águas calmas parecem um ótimo atrativo para combater o calor.


3.

"Olha a água! Olha a água!"

Paro.

Garganta seca, suor na testa.

Acho que vou andar de biquini agora. Hunf.

"Quanto é o copo d'agua?"

"é a cinquenta, é a cinquenta, é a cinquenta."

O líquido esfria,

a garganta acalma.


4.

Uma hora da tarde.

Sol a pino.

Calçadas lotadas, vendendores aos milhares.

Carros a mil.


5.

O aquecimento global é uma verdade.

As profecias apocalípticas da ONU se cumprirão."


------------------------------------------------------------
P.S: Hugo tá ocupado e infelizmente passará uns dias sem postar por aqui, enquanto isso, tentarei , da melhor forma possível,atualizar O Rotineiro com meus posts, mas é claro que não será a mesma coisa sem as maravilhosas reflexões de Hugo, mas será só por algumas semanas.
Bjo a todos!
E obrigada pelo carinho de sempre!
Priscilla