Vida

Pessoas vêm e vão todos os dias em escuridões profundas e luzes ofuscantes de mundos subjetivos e (in)existentes. Todo dia tem uma nova corrida, uma nova maratona, uma preocupação a mais, um saltar ou não saltar. Apesar disso ainda escutamos felizes o don't worry! acalmante do reggae do Bob e sorrimos para o amanhã, mesmo que o ontem tenha significado o fim por muito tempo. A vida se recria, revive e exibe suas cores, apalpa nossos rostos e exala as escolhas que fizemos e que faremos. Dia após dia reclamamos, choramos, culpamos deuses, criticamos e nos cegamos, porém também despertamos. E desse despertar de milhares de anos no forno vemos, revemos, caminhamos e nos surpreendemos. Tentamos julgar, mas somos homens e por fim vemos que o eu e o você são apenas palavras, como o negro e o branco, o homo e o hetero, o rico e o pobre. Somos seres mesquinhos, hipócritas, multi-faces e prepotentes, mas antes de tudo felizes (é Natal (haha)). E estamos de férias. Então deixa disso que every little thing is gonna be alright, boas férias, boas festas, volto ano que vem.



;)

O poeta triste

Sentia-se gelo,
Pedra rígida e fria que caía da montanha.
Suas palavras esquecidas,
Sua fumaça escurecida,
Sua palidez embranquecida.

Poetizava em um mundo de cegos
E cantava em terra de vácuo absoluto

Não compreendia
Como o sangue dos homens perdia a cor
E então se via
Com ferimento profundo e indolor.

Hibernava em uma crua angústia
De boca calada, seca e inanimada
Apelando por uma simples faísca
De uma outrora viva alvorada

E o duro gelado poeta
Da rua escura e estreita chamada Eu
Fez baixinho uma pergunta discreta
Que sem respostas nos anos envelheceu

Pois respostas não havia para sua dor
Inconcebível até para o mais cruel infrator
Que lhe queimava num eterno ardor
E lhe cegava feito aperto de amor.

Mas mesmo assim se afundava nesse mundo mundano
Que não lhe ouvia, posto que é surdo
Mas o sentia
Em inflamados batimentos de um coração humano.


- Poema dedicado à todos os poetas dormentes que calados estão dentro de nós. Hugo.

21


Sou o maior erro de um Deus furioso
Sou o prefácio da morte encarnada
Sou a paz conquistada pela guerra
Sou o resto de uma vida errada
Sou o canto que o show encerra
Sou a ultima tragada de um cigarro apagado
Um pensamento, um batimento
Um pulsar, um amar
Um vôo sem guia e sem destino
Uma aventura à qual não posso escapar
Sou a fúria dos deuses nas ondas do mar
Sou o trovão da tempestade invernal
Sou o calor frio do mundo anormal
Sou a pergunta sem resposta
O resultado dos séculos passados
O medo dos anos futuros
Sou o vazio absoluto
De um todo irresoluto
Sou um batimento, um pulsar
Sou amor à amar.

Sou o infinito que morre
A história inacabada
O crepúsculo eterno das súplicas de paixão
A chuva que cai banhada de distração
Sou o ser que é
O rompimento da sensação
A razão em sí
Controlada pelo coração.

Sou seu egoísmo
O trunfo de Alá
O filho das bombas
O pai do fim
O avô do recomeço.

Sou a gota que cai na curva do espaço
Sou os pés que percorrem o caminho que traço
Sou a peça estragada dos mundos
Sou a imperfeição de pedaços de maçã
Sou o hoje que foge do amanhã.

Sou o álcool,
O sexo,
A violência,
O cigarro,
A droga,
A revolta de um prazer renegado.

Sou a liberdade
A conquista
A esperança
A desinfância

Sou a pergunta sem resposta
E a resposta de todas as perguntas
Sou a criação do vigésimo primeiro
A destruição em um segundo.

Palhaço


Um palhaço geralmente é um bobo qualquer que faz os outros rirem. Odiado por muitos e temido por alguns miúdos, segue adiante com a maquiagem exagerada e a cara eternamente alegre. Sem um propósito maior, sem um trabalho complicado, sem mestrados e doutorados, mas mesmo assim consegue ser doutor em solucionar uma doença mortal que nem o mais renomado médico consegue curar: a tristeza. Não quer o papel sujo do ser humano, nem seus metais redondos que cegam até os mais puros, quer apenas o objeto de sua ambição, o qual vendemos aos ares de graça todos os dias, o verdadeiro sorriso da felicidade.

E ele não desiste de tentar,
Seja no circo ou no vale da última esperança
Provocando o velho que não vai sarar
E a gorda e mimada criança.
.
Não distingue mais cores nas pessoas
Talvez além de bobo seja daltônico
Pois não vê pretos, branco e amarelo
Enxerga apenas dentes

[e dentes sorridentes]

Casados com olhos brilhantes
Que mesmo com as cabeças carecas
Não desistem de ser sapecas
E roubarem da vida instantes.

Mas mesmo assim, o palhaço é só mais um bobo que não quer consumir. Tolo ignorante que não vê que felicidade está no carro do ano, na roupa da moda, na televisão de 80 polegadas, no novo shopping da cidade e não ali naqueles doentes ou naquele público carente dos picadeiros. Que pena que o palhaço não se modernizou e não tem botões brilhantes no peito, coitado dele, é apenas um bobo qualquer que faz os outros rirem.

- Obrigado por ler, ainda desenferrujando, Hugo. (veja o vídeo se puder)

Sendo breve, sendo homem.

O mundo me deslumbra. Carrega uma cruz tão grande e mesmo assim não desiste de girar.

O ser humano me fascina. Consegue ter todos os verbos em sí. Virou tudo e o todo virou de ponta-cabeça. O humano é racional e mesmo assim carrega um coração, o qual incha e seca dependendo da estação de sua vida, bate acelerado ao encontrar o amor e mata seu corpo ao dizer adeus. É o bicho das fotografias forjadas, dos momentos, da eterna cristalização, do parecer, mas ao mesmo tempo é o ser das mãos dadas, das lágrimas de alegria, da doação, das cores e das luzes. É a vida em sí, o sorriso sincero, a contradição, o câncer e a cura.

E mesmo sendo tudo, as vezes não somos nada.


Tenho ouvido tanta coisa boa por aí, pensado tanto no mundo, voado tanto com asas de palavras, observado tantas coisas erradas que resolvi dar vida novamente ao rotineiro. Tomara que o tempo não queira brigar de novo.

Bem vindo novamente.

'Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.'

- Drummond

Perdendo a paciência.





"se tivéssemos embarcado numa montanha-russa e agora, na entrada do novo século , fôssemos apanhados pela vertigem do loop. Essa aceleração que é excitante, é também inconseqüente: vai aumentando as desigualdades entre os grupos e sociedades, multiplicando crises e violências e ameaçando o equilíbrio ambiental."



Sinopse do livro "A corrida para o século XXI. No loop da montanha-russa"; Nicolau Sevcenko.




Recentemente comecei a ler uma obra de Nicolau Sevcenko intitulada "A corrida para o século XXI. No loop da montanha-russa". Um livro que me despertou para o momento em que vivemos: a entrada de um novo século. Fechando quase uma década de existência do século XXI, nos deparamos com um imenso avanço tecnológico, acompanhado da contínua expansão capitalista e de um fenômeno nosso, já muito conhecido: globalização. Um fenômeno que nos faz pensar que com o avanço da tecnologia, todos estarão unidos em uma só vila , the global village, mas não é bem assim. Na verdade nesse novo século o que tem aumentado assustadoramente são as disparidades entre nações e classes sociais.

Outra coisa que percebemos é na velocidade das coisas. Certamente que se eu lhe perguntar o que lhe faz sentir no século XXI, você, possivelmente, responderá: a tecnologia (internet, celular, tv plasma, ipod...). Uma tecnologia que nos é vendida com a garantia de praticidade, de perder menos tempo, garantir mais conforto, de velocidade. Agora me responda, porque queremos tanto um computador mais potente, uma internet mais veloz? Por que não temos paciência. Certamente os usuários da banda larga não aceitariam deixar a velocidade da sua conexão por uma internet discada. E aqueles que usam a internet discada, certamente, se programam para adquirir uma banda larga.

O que estamos vivenciando nesse século, cada vez mais, é a perda da paciência. Usamos o internet banking porque não temos paciência de esperarmos numa fila. Realizamos pesquisas no google, porque não temos paciência de ir em bibliotecas e pesquisar nos livros. Nos comunicamos via telefone, celular, msn, orkut, email porque nunca, em nenhuma hipótese, jamais, esperaríamos dias para receber/enviar uma carta pelo correio. E muitas vezes usamos tais recursos porque não tem paciência de sair de casa e ir visitar a outra pessoa.

Até a TV /dvd/micro system... sem seu controle remoto seria inútil. Quem tem paciência de se levantar a todo instante para apertar um botão de mudança de canal, faixa ou para simplesmente aumentar o volume? E o microondas? Esperar meia hora, uma , duas num forno/fogão, quando em 10 ou 15 minutos o microondas resolve tudo?


Chamamos isso de praticidade, conforto e comodidade. Na realidade nos falta paciência. Ora o mundo em que vivemos não foi construído às pressas. "A natureza não dá saltos", já se diz. Mas o homem tenta sempre ganhar do tempo. Mas enquanto tentamos construir edifícios ou fabricar produtos na base da eficiência (menos custo, menos tempo, maior lucro), a natureza segue com suas criações em um diferente conceito de eficiência (maior qualidade, maior dedicação). Uma árvore não cresce e dá frutos da noite para o dia. Uma flor não desabrocha de repente.


Agora imaginemos se a natureza decidisse acompanhar nosso ritmo: certamente a Terra e demais planetas girariam cada vez mais rápidos. E em nosso caso um ano não seria mais 365 dias, quem sabe 365 minutos? E uma rotação terrestre não duraria 24 horas e sim, quem sabe, 24 milésimos de segundo. E a nossa vida já corrida e alucinada (apesar da proposta de que a tecnologia nos faria ganhar tempo) seria um simples e curto lampejo na eternidade. Bichos, plantas e nós seres humanos, teríamos um nascer, envelhecer, morrer, tão instantâneo como a passagem de um cometa.

Devemos então seguir o exemplo da sábia natureza, e desacelerar, viver mais, viver melhor, ter paciência em troca de mais tempo para se aproveitar o lado bom da vida, e assim garantir sua qualidade.

Deixo-os com a Paciência de Lenine:



P.S:Aproveito para dedicar esse post ao meu amigo Hugo, companheiro e idealizador do Rotineiro, que no último dia 21, completou mais um ano de vida!




Destruição


Lembro-me ainda quando criei esse blog com a convicção de que iria mudar o mundo. Impulsionado pelas idéias revolucionárias, hippies, punks, anarquistas, etc. pensava que transformar o mundo em algo mais justo seria apenas mais uma aventura. Parece que cada tapa que a vida nos da desmancha um pouquinho dos nossos ideais e um verdadeiro tapa na cara é entrar no curso de Direito. Foi muito difícil aceitar que o sistema é necessário, acredito que essa é a pior dor que os revolucionários modernos sofrem, entender que no fim tudo isso é necessário. Mas, será mesmo?

A ocidentalização e o american way o life cegaram a humanidade, criaram valores desnecessários, moldaram um mundo de máquinas, implantaram o capitalismo e, de certo modo, nos escravizaram a uma cultura chamada universal. Alguns tentaram mudar, mas a cada inimigo derrotado o modo de produção capitalista apenas aumentou seu poder, hoje é fato que é impossível (pelo menos por enquanto) fugir dele. Ao assimilar coisas assim muitos desistem da luta por mudanças, frases como "não tem mais jeito" já são comuns e o ser humano se distancia cada vez mais do seu modo de vida social para se tornar uma coisa inividual. A modernidade nos trouxe o individualismo, a prevalência do privado, o pensamento de ser melhor por possuir mais e por humilhar o próximo. Atualmente realmente acreditamos que alguém é melhor que outrem.

Com isso eu havia desistido, cheguei duas vezes ao fundo do poço, pratiquei por alguns meses a minha auto-destruição e a destruição de todos os valores que eu possuia. A vida se tornara uma coisa simplória e sem objetivo, leve e tranquila como uma pluma, oca como uma árvore podre. Muitos vão por esse caminho, muitos não voltam, porém eu sempre acreditei que viver possuia um propósito maior que simplesmente um "live fast, die young". Hoje tento equilibrar essas minhas duas personalidades, a margilnalizada e a sonhadora, tentei revolucionar não somente pelo lado bom, mudei também pelo lado ruim como muitos e não me arrependo de nada. Toda minha pequena experiência apenas me trouxe a certeza de que a hipocrisia e a inveja reinam no mundo moderno.

Se até Weber havia se desencantado com o mundo por que eu não poderia? Entretando minha teimosia em aceitar me fez voltar aos sonhos. A cada dia vejo mais injustiças, mais ignorância, mais coisas simplesmente inacentáveis, ia deixar tudo simplesmente assim? Não. Mas mesmo assim ainda não descobri um meio eficiente de fazer algo pelos outros, tavez pela minha dificuldade em me desprender do mundo capitalista, como todos os filhos do consumo. Venho pensando em algum modo de ajudar esse mundinho, nem que seja um pouco, pelo Direito mesmo, pelo sistema. O importante é não deixar o mundo nos derrubar.

Ainda somos todos filhos da Terra, ainda somos seres humanos e ainda temos uma parcela de culpa em tudo e em nada ao mesmo tempo. Queria ainda frizar que ainda sou um sonhador, como muitos outros, que ainda acredito que a vida é muito pequena pra tudo que sempre desejei alcançar, porém entendo que isso é impossível sozinho. Meu batiscafo ainda procura uma resposta no fundo desse mar, onde tudo é escuro e frio, mas quem sabe, com a ajuda de outros, ainda encontre uma solução pra esse problema chamado humanidade.

"Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim." Chico Xavier

Pra finalizar um vídeo do Bush cantando Imagine, recomendo a todos ver isso!



Até a próxima!

atualizando...

Passando para atualizar O Rotineiro, em meio a essa rotina que parece mais me afastar daqui (¬¬), acho que o mesmo deve estar acontecendo com Hugo, já que faculdade consome até sua alma. Mas parece que nossa vida sempre está apertada, parece que o tempo falta e as 24 horas já não são mais bastante para fazer tudo que se deve, então agente vai encurtando o sono, acordando mais cedo, vivendo mais elétrico, e vem o belo conhecido nosso stress, que hoje já atinge 70% da população brasileira.

E aí você pensa como seria melhor sumir de tudo e todos, tirar umas férias prolongadas e se lembra que (Oops!) ainda estamos em Março, e muita coisa vem pela frente até as próximas férias...quer dizer, isso se você não ingressar no tão sonhado mercado de trabalho, e aí sobreviva com os quinze dias de recesso. E porque vivemos assim? Por que a moderninade nos prometeu dar mais tempo para descansarmos, menos tempo com o lavar a louça, porque agora tem lavar-pratos, menos tempo para receber notícia dos seus familiares e amigos, porque agora tem email, celular, telefone...Menos tempo para chegar nos lugares, porque agora tem o carro!

Mas o que a modernidade não lhe falou é que você teria que dar algo em troca: dinheiro. E para conseguir dinheiro você teria que vender uma das poucas coisas suas, por natureza, a sua força de trabalho. Ah e dar uma boa parcela do seu tempo, também.

E no fim você gasta grande parte do seu tempo correndo atrás do seu suado salário para adquirir os produtos e meios oferecidos pela modernidade para te dar uma vida mais tranquila, sem stress, e com mais tempo para você mesmo. A questão é que você nunca usufrui do que esses produtos deveríam lhe dar, porque estamos sempre correndo atrás de mais e mais, para ter e viver mais e mais. E só o que conseguimos é encurtar nossa estadia por aqui. Vivendo em função do financeiro, e não da família, dos amigos, de nós mesmos.

Quantas famílias se separam, por um dos membros ter que sair de casa, da cidade, do país, para "vencer na vida", ganhando mais dinheiro e tendo mais do que teria se estivesse ao lado daqueles que ama.

E aí vamos vivendo, mesmo sem estarmos tão bem, mas correndo sempre atrás de uma felicidade e um descanço que nos parece cada vez mais distante. Complicado.

O bom filho à casa retorna

Alguns meses depois aqui estou, e com muita saudade de escrever. Primeiramente um breve resumo desses 2 meses. A viagem foi ótima, quando estava voltando pra Curitiba descobri que havia passado na UniCuritiba ou Faculdade de Direito de Curitiba, muito feliz com isso acabei me empolgando lá e estiquei minhas férias do Rotineiro. Descobri que nasci pro Direito, gosto demais do curso! O problema são os trabalhos e milhares de livros, mas logo acostumo.

Refleti um pouco sobre o que falar hoje, por onde começar. O curso me faz refletir muito, principalmente nas aulas sonolentas onde viajo para pensamentos dignos de um poesia. Foi numa aula assim, estudando pela milésima vez o Mito da Caverna de Platão que tive uma pequena epifania(ta, nem tanto). A professora falava da volta do filósofo à caverna, como ele tenta mostrar a verdade aos outros e acaba sendo assassinado pela falta de compreensão. Transportei isso para o mundo contemporâneo e comecei a refletir no tanto de pequenos filósofos que matamos diariamente, a quantidade de assassinatos de boas almas, o tanto de sonhos destruídos quando dizemos à mais pequena criança que o mundo é assim e não há mudança.

Sem querer somos todos prisioneiros de nós mesmos, de falsos valores imbutidos inconscientemente em nós desde que nos conhecemos por gente. Quando alguém quer nos dizer algo que não compreendemos ou que julgamos imoral simplesmente matamos seu filósofo interior, e continuamos olhando a sombra na parede, a sombra da ignorância.

Rimos de quem fala "pobrema", chamamos os analfabetos de ignorantes, temos pena dos necessitados e não fazemos o mínimo por eles. Continuamos sempre nessa mesma caverna, com nossos pré-conceitos mesquinhos, com nossa incompetencia de ouvir o que o outro tem a dizer, fracos, sentados no escuro de nossas próprias mentes e com medo de sair dali, com medo de ser notado, com medo de enfrentar a multidão de acorrentados que não compreendem nada.

Por isso hoje só queria fazer um simples apelo, não deixem seus ideais morrerem e não matem a pessoa que quer te libertar. Esse mundo já tem muitos andróides, façamos a diferença.

Pra finalizar uma parte do meu poema preferido do Vinicius de Morais e uma musica da Elis Regina. Um abração aí pra todos e desculpem a demora pra voltar!

"A vida do poeta tem um ritmo diferente
É um contínuo de dor angustiante.
O poeta é o destinado do sofrimento
Do sofrimento que lhe clareia a visão de beleza
E a sua alma é uma parcela do infinito distante
O infinito que ninguém sonda e ninguém compreende."

- O Poeta, Vinicius de Morais.




- Cais, Elis Regina.

Vivendo

As pessoas são muito complexas, e por vezes, muito difíceis de se entender. Assim também torna-se a vida. Justamente por ser formada por essas relações, essas complexidades, que marcam o ser-humano na vida moderna (onde a tecnologia nos traria uma vida mais fácil). Seres humanos, poços de sentimentos e emoções. São personalidades distintas vivendo em mesmo ambiente. Ambiente este tranformado por suas ações.
Cada qual com sua visão de mundo, sua vida, seus desejos. Cada qual com sua "dor e renúncia". Isso deveria ser o bastante para impedir que julguemos uns aos outros. Mas parece que sempre buscamos encontrar o erro do outro como forma de aliviar nossos próprios erros e tornar nosso fardo mais leve.
E quem não quer uma vida leve e livre de problemas? Mas, na verdade, a vida é luta e se formos fracos, seremos nocauteados antes do 1°round ter fim. Há pessoas que gostam de ficar paradas e choramingando a respeito da vida, falando sobre injustiças e faltas de oportunidades. Mas eu lhe pergunto, de que adianta reclamar? Mas esse é o problema, somos tão complexos em nossas emoções que muitas vezes complicamos demais a vida e tornamos nossos problemas maiores.
Para viver não se pode preocupar com a vida. Deve-se simplesmente viver, e viver sabendo que estamos fazendo o nosso melhor. Poder dormir, encostar a cabeça no travesseiro, ter o nosso sossego à noite. Isso é vital.
Mas tantos simplesmente não se importam, e além de complicar suas vidas interferem nas dos outros.
Humanos, tão iguais e tão diferentes. Irmãos tão distintos que por vezes negam sua fraternidade. E surgem competições, necessidade de um mostrar ao outro que sua vida é melhor, ou ver quem sofre mais, disputar pelos comentários de "coitadinho". Um show de sentimentos.
No meio de tantas confusões e emoções desregradas a evolução torna-se penosa e por vezes frustante. Mas é necessário evoluir sempre.



"O homem nasceu para viver e não para se preparar para viver"
Autor: Pasternak, Boris



"Falhaste a vida, é evidente. Mas não o digas. Porque haverá logo quem venha proclamar em alvoroço que tu mesmo afinal confessas que falhaste para o cretino trombeteiro se julgar menos falhado e os cretinos como ele"
Autor: Ferreira, Vergílio

"A vida é como a música. Deve ser composta de ouvido, com sensibilidade e intuição, nunca por normas rígidas"
Autor: Butler, Samuel

"Apressa-te a viver bem e pensa que cada dia é, por si só, uma vida"

Autor: Séneca

Seguindo a rotina.

Levanta-se para mais um dia de trabalho. O café já está na mesa. A roupa passada em cima da poltrona esperando para ser vestida. Um dia de trabalho e correria pela frente. Mas ela nunca sabe o que o espera. Ninguém nunca sabe. Os dias sempre nascem como um novo capítulo de um livro em que uma revirada impressionante pode acontecer a qualquer linha, vírgula, palavra.

É claro que ao acordar ela já tem os compromissos do dia e o que irá fazer em mente. Chegar à faculdade às sete e meia, dar aulas até à uma da tarde, reunião do corpo docente as duas. Ás três, com tempo, uma passada no cabeleireiro para ajeitar o cabelo. Voltar à faculdade para entregar as provas corrigidas, às cinco. Às sete e meia jantar com Cláudio. Mas nada garante que a agenda será seguida a não ser sua própria vontade de cumprir tais compromissos. E a responsabilidade que lhe cai às costas nessa vida adulta, nesse mundo de exigências, de produção, de resultado por atestados de competência.

O noticiário anuncia uma frente fria. Aumento no preço da gasolina e passagem de ônibus. Novo imposto. Revolucionário robô japonês. O final da novela das oito.

La fora os carros buzinavam, as pessoas corriam nas calçadas, os vendedores gritavam por clientes. As sirenes da polícia, dos bombeiros, das ambulância gritavam estridentes. Os taxistas falavam alto em suas conversas, os sinais paravam milhares de carros. Os engarrafamentos começavam e as crianças aproveitavam para pedir, para mostrar-se como marginalizadas daquele mundo tão moderno construído pela alta tecnologia.

E se hoje fosse diferente? E se desistisse da rotina, e se cancelasse os compromissos, ou melhor, e se nem satisfações desse? Simplesmente sumisse? Irresponsável, louca, sem juízo. Despedida. Depois de tantos anos, acabou. Fim do relacionamento.

Muito seria dito, e por muitos julgados. O café parece, ao invés de deixá-la lúcida, tornar mais encantadora tal decisão. Mas e as consequências? Quem precisa seguir conveniências ou pensar em consequências quando a liberdade bate à porta. Um só dia, sem alunos desinteressados, colegas de trabalho invejosos, reuniões chatas e fadantes, cobranças de relacionamento. Só ela e sua liberdade, desfrutada, sentida, entregue. lhe dizendo que a rotina era uma imposição à fracos, lhe mostrando que ela tinha direito sobre si própria e poderia fazer o que quisesse,quando quisesse, como quisesse. Sem medo, sem preocupações, sem rancor, sem remorsos.

Decidiu.

A mulher caminhava pela praia, caminhava sem parar. No caminho coletava conchas. Lindas conchas coloridas. Gostava de estar ali. Sentava-se naquela areia fria e confortável, esticava as pernas e sentia o mar com suas ondas, o vento com seus uivos, o sol com seu calor. Os pés descalços era beijados pela espuma da praia. A mulher ria de cócegas e recordava-se da infância. Daquele tempo em que nada lhe era esperado, em que responsabilidades não lhe eram cobradas em que a rotina não lhe aprisionava.

Lembrou-se de sua querida mãe lhe contando estórias, estória de uma pequena sereia que virou espuma, no desejo de estar mais perto de seu amado humano.

As conchinhas se amontoavam ao seu lado na areia branca. A mulher recolhe uma concha elaborada, maior que as outras "uma bela mansão para um bichinho do mar" era o que pensava quando criança achava essas grandes conchas. Ela encosta seu ouvido na concha e ouve com maior intensidade o barulho do mar.

Deita-se na areia ouvindo aquele elaborado som. Adormece.

"TRIMMMMMM" "TRIMMMMMM"

O telefone toca. Atordoada acorda, havia dormido por cima dos pratos, por cima da mesa.

"TRIMMMMMMMM" "TRIMMMMMM"

Dez para as oito no relógio da cozinha. Ela atende o telefone e a secretária da faculdade pergunta se a aula das oito deverá ser cancelada. Ela responde que não, explica que ouve um contratempo, mas chegará em cima da hora para dar a aula. Desliga o telefone, segue à pia, lava o rosto termina de arrumar-se rapidamente. Desliga a TV. E segue para fora de casa.

E segue para a rotina.

Oi!

Faz tempo que não se posta por aqui. Como voltei agora das viagens de fim de ano e o Hugo está se preparando para viajar para Bahia, fiquei como responsável de cuidar do Rotineiro. Inclusive o Hugo me deu carta branca para fazer algumas modificações no blog para esse novo ano,desde que "não ficasse rosa ou cheio de florzinhas"...ashahshahs. Bem, por enquanto passo só para dar notícias, pois ainda estou trabalhando num novo layout para o blog, e em idéias para os próximos posts.



Bjo a todos!

Obrigada pelo carinho de sempre.


P.S: Deixo-os com a mestre das críticas Mafalda.