Seguindo a rotina.

Levanta-se para mais um dia de trabalho. O café já está na mesa. A roupa passada em cima da poltrona esperando para ser vestida. Um dia de trabalho e correria pela frente. Mas ela nunca sabe o que o espera. Ninguém nunca sabe. Os dias sempre nascem como um novo capítulo de um livro em que uma revirada impressionante pode acontecer a qualquer linha, vírgula, palavra.

É claro que ao acordar ela já tem os compromissos do dia e o que irá fazer em mente. Chegar à faculdade às sete e meia, dar aulas até à uma da tarde, reunião do corpo docente as duas. Ás três, com tempo, uma passada no cabeleireiro para ajeitar o cabelo. Voltar à faculdade para entregar as provas corrigidas, às cinco. Às sete e meia jantar com Cláudio. Mas nada garante que a agenda será seguida a não ser sua própria vontade de cumprir tais compromissos. E a responsabilidade que lhe cai às costas nessa vida adulta, nesse mundo de exigências, de produção, de resultado por atestados de competência.

O noticiário anuncia uma frente fria. Aumento no preço da gasolina e passagem de ônibus. Novo imposto. Revolucionário robô japonês. O final da novela das oito.

La fora os carros buzinavam, as pessoas corriam nas calçadas, os vendedores gritavam por clientes. As sirenes da polícia, dos bombeiros, das ambulância gritavam estridentes. Os taxistas falavam alto em suas conversas, os sinais paravam milhares de carros. Os engarrafamentos começavam e as crianças aproveitavam para pedir, para mostrar-se como marginalizadas daquele mundo tão moderno construído pela alta tecnologia.

E se hoje fosse diferente? E se desistisse da rotina, e se cancelasse os compromissos, ou melhor, e se nem satisfações desse? Simplesmente sumisse? Irresponsável, louca, sem juízo. Despedida. Depois de tantos anos, acabou. Fim do relacionamento.

Muito seria dito, e por muitos julgados. O café parece, ao invés de deixá-la lúcida, tornar mais encantadora tal decisão. Mas e as consequências? Quem precisa seguir conveniências ou pensar em consequências quando a liberdade bate à porta. Um só dia, sem alunos desinteressados, colegas de trabalho invejosos, reuniões chatas e fadantes, cobranças de relacionamento. Só ela e sua liberdade, desfrutada, sentida, entregue. lhe dizendo que a rotina era uma imposição à fracos, lhe mostrando que ela tinha direito sobre si própria e poderia fazer o que quisesse,quando quisesse, como quisesse. Sem medo, sem preocupações, sem rancor, sem remorsos.

Decidiu.

A mulher caminhava pela praia, caminhava sem parar. No caminho coletava conchas. Lindas conchas coloridas. Gostava de estar ali. Sentava-se naquela areia fria e confortável, esticava as pernas e sentia o mar com suas ondas, o vento com seus uivos, o sol com seu calor. Os pés descalços era beijados pela espuma da praia. A mulher ria de cócegas e recordava-se da infância. Daquele tempo em que nada lhe era esperado, em que responsabilidades não lhe eram cobradas em que a rotina não lhe aprisionava.

Lembrou-se de sua querida mãe lhe contando estórias, estória de uma pequena sereia que virou espuma, no desejo de estar mais perto de seu amado humano.

As conchinhas se amontoavam ao seu lado na areia branca. A mulher recolhe uma concha elaborada, maior que as outras "uma bela mansão para um bichinho do mar" era o que pensava quando criança achava essas grandes conchas. Ela encosta seu ouvido na concha e ouve com maior intensidade o barulho do mar.

Deita-se na areia ouvindo aquele elaborado som. Adormece.

"TRIMMMMMM" "TRIMMMMMM"

O telefone toca. Atordoada acorda, havia dormido por cima dos pratos, por cima da mesa.

"TRIMMMMMMMM" "TRIMMMMMM"

Dez para as oito no relógio da cozinha. Ela atende o telefone e a secretária da faculdade pergunta se a aula das oito deverá ser cancelada. Ela responde que não, explica que ouve um contratempo, mas chegará em cima da hora para dar a aula. Desliga o telefone, segue à pia, lava o rosto termina de arrumar-se rapidamente. Desliga a TV. E segue para fora de casa.

E segue para a rotina.

Oi!

Faz tempo que não se posta por aqui. Como voltei agora das viagens de fim de ano e o Hugo está se preparando para viajar para Bahia, fiquei como responsável de cuidar do Rotineiro. Inclusive o Hugo me deu carta branca para fazer algumas modificações no blog para esse novo ano,desde que "não ficasse rosa ou cheio de florzinhas"...ashahshahs. Bem, por enquanto passo só para dar notícias, pois ainda estou trabalhando num novo layout para o blog, e em idéias para os próximos posts.



Bjo a todos!

Obrigada pelo carinho de sempre.


P.S: Deixo-os com a mestre das críticas Mafalda.