E se a felicidade fosse...


...tão fácil como receita de copo d’agua?
...tão barata quanto banana em promoção?
...tão comum como derramar a torrada com o lado da manteiga no chão?
...tão simples como dar “bom dia” ao vizinho?
...tão normal como se molhar na chuva?
...tão verdadeira como preocupação de mãe?
...tão natural como sorriso de criança?
...tão corriqueira como engarrafamento no trânsito?
...tão certa como as contas no fim do mês?
...tão ordinária como piscar o olho?
...tão singela como um abraço?
...tão inabalável como amor de mãe?


E se ela é isso tudo, e simplesmente não queremos perceber? Porque no fundo um complexo de culpa diz “eu não mereço ser feliz”, ou bate aquele pensamento “é bom de mais pra ser verdade”... Mas se as coisas mais simples nos trouxesse a felicidade...não haveria motivos para chorar, a não ser de alegria!

Psique suicida

(ou Dinâmica masoquista)


A mente tem caminhos surpreendentes,
Quando menos se espera, lança-se ao campo ou ao mar,
Esquece da razão e das consequências ao coração
E lança-se enlouquecida, desvairada a imaginar

A mente tem caminhos que se desconhece
Entrelaçamentos confusos,
Amarras em um subconsciente golpista
Lança "caramiolas" na cabeça
Ou bota fogo em instantes
A sentimentos que precisaram de anos para se estabelecer

Ela sabota a consciência
Confunde a razão
Perde o juízo

E quando as consequências "pedem licença"
É ela a primeira a agarrar o remorso
Por ter imaginado o que não existia
Sonhado com o que não devia

E promete mudar
E jura amadurecer

Mas basta uma novidade
Para ela agarrá-la e fantasiá-la
E o ciclo prossegue

Sem fim
Sem propósito
Uma corrida desvairada de uma psique suicida

*

Complexo de Ícaro



Mais uma tarde em que o céu é tingido pelos mais distintos matizes e a cidade não pára para admirar.
As cabeças permanecem voltadas para o chão, modificado, esburacado e sujo.
Enquanto que o céu "ainda" um tanto quanto preservado passa despercebido.
A cidade no caos. Buzinas ensurdecedoras, pessoas disputando m², desordem, corrupção. Selva de concreto..
Mas basta levantar os olhos que a vista se alivia.
A suavidade do vento no bailar das nuvens, as cores do céu e de noite suas estrelas. Tudo tão perto e tão longe.
E a inveja da tranquilidade desfrutada pelos pássaros. Voando alheios a todas as confusões que ocorre metros abaixo.
Pode parecer muito poético, mas quão maravilhoso seria tocar as estrelas e lá do alto admirar o que ao invés de um ambiente inquiéto e caótico parece somente como mais um espetáculo da natureza!

Insônia

Ja é lei devorar sonhos acordado
sem sequer um copo d'água
pra diluir todo o açúcar tostado
pelo sol colorido que nem mais brilha
no mundo dos vampiros.

É um nó que permanece,
,
enforcando toda a leveza inexistente do fim do dia,
que pesa mais que chumbo pr'um travesseiro,
mas é agravitacionado pros sorrisos amarelos
de areia, sem praia.
Dois olhos que nem mais piscam,
pessoas que não arriscam
e riscam
o risco de viver,
pessoas rasgadas

Cada noite acordado
me faz refletir se morrer
é mesmo, afinal, um fardo.

A cada noite acordado
eu bebo o brilho das estrelas
num literário caldo.

Ao Outubo

Achava-se graça em desgraçar.
Rebanho de nuvens a voar com sonhos
Líquidos despencando, ar ao mar -- ara o mar --,
Sonhos (sonhamos) sem medir tamanhos.

Primavera afogada por sáfio clima sem
Clímax ou pulsar de seiva das amoreiras
Sem amor(as). Nem lúgubre, nem
Sorridente: primaveras brasileiras.

O enfaro reflete as tormentas e as inconstâncias
Da pilhéria da vida que chove -- que vive a chover.
Os velhos e o Outubro se encontram nas ambulâncias
E nos esquifes oblongos das cinzas nuvens a engrandecer.

O Outubro chove. Lava e leva mais sonhos
Entre os trovões da procela primavril e cobre
De ouro as estátuas e as hienas -- tradição e insulto --,
Retesa-se o viver, permanece o culto.

A desgraça vira graça, engraçadamente,
O diabo vira santo, religiosamente,
A piada vira lei, normativamente,
E o Outubro esconde a cara, mente.

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Muito obrigado pelos comentários, ando meio sem tempo pra postar um texto em prosa hehehe... vou deixar uma música maravilhosa de uma das minhas bandas preferidas: Beirut - In The Mausoleum.