De uma janela de plumas ressecadas.
Ao sol arrepio-me, escamado
Sem penas, sem asas. Nefelibata.
Pombo famígero, faminto, sujo,
Que a migalhas de mãos peladas
Recorre e engole. Repúdio.
Eis-me aqui, pombo difamado.
Chutado, imundo, odiado, invejado!
Por voar e deturpar o céu casto,
Virgem antes de meu sáfio rastro.
Nefelibata. Sem ventos, vôo em azul,
Sem vida, caio em blue.
Pingado em sonhos, pingado ao mar.
Pranto de pomba escorrido pela praça.
Eis-me aqui!
Salvo-me da presúria dos homens,
Esses pombos depenados sem raça,
Esses ratos voadores.
"Somos pombos, somos imundos, somos bando."
Sou um pombo sem asas que vê a massa deslocar.
Sou pombo sem asas, que mesmo parado
Está muito mais alto a voar. Nefelibata.
