A política verde

Nos últimos anos o discurso pró meio ambiente e de “desenvolvimento sustentável” tem sido muito forte na mídia e nos foros internacionais, tornando-se assunto primordial da agenda internacional. Entretanto, o homem sempre consegue distorcer as coisas, e logo a mídia tornou o estilo “pró meio ambiente” como algo possível de ser vendido, comprado e consumido. Vê-se isso em grandes marcas internacionais que passaram a desenvolver linhas ecológicas de seus produtos que, incrivelmente, passaram a custar mais caro (o que não dá para se entender, visto que a lógica é que tendo menor participação humana, o custo seria melhor). Mas distorção maior se vê na questão das relações entre os Estados.

Os países ditos ricos são os maiores consumidores e por seguintes produtores de lixo e responsáveis pela exploração dos recursos naturais do planeta. Somente os EUA é responsável por 30% do uso dos recursos naturais da Terra, tendo somente 5% da população mundial. Imagine num futuro não tão distante, uma China chegando a um estado de amplo desenvolvimento como os EUA, com a maior da população com poder aquisitivo alto e morando em áreas urbanas (atualmente 70% da população chinesa ainda vive no campo). Teríamos uma população de cerca de mais de 1bi de pessoas em constante processo de consumo! E como ficam os recursos naturais? Por isso que o debate Norte-Sul (Ricos/Pobre) defendido por potências emergente como o Brasil, tende a ter menos ênfase na agenda internacional, sendo ampliado o debate sobre Segurança Internacional (leia-se combate ao terrorismo) e Meio-Ambiente (em que os países poderosos querem apossar-se de nossos recursos naturais, como a Amazônia, quando esses ditos países já acabaram com os seus).

Sendo assim, ao invés das potências se comprometerem a diminuir seu consumo, a adotar medidas rígidas para uma menor agressão ao meio ambiente – visto que dinheiro a ser aplicados em desenvolvimento de pesquisas desse tipo, eles possuem, mas preferem gastá-los com guerras (50% dos impostos dos EUA são aplicados na área militar) – essas potências buscam frear o desenvolvimento de países emergentes, e de países que buscam ainda se afirmar como tais (caso das nações africanas) com a desculpa de que nosso sistema natural entraria em colapso caso o desenvolvimento chegasse a todas as nações – entrelinhas é esse o discurso.

Bem, isso tudo na verdade era para ser somente uma introdução de um vídeo feito nos EUA sobre justamente a questão do desenvolvimento sustentável e a visão de governos e corporações sobre isso tudo, principalmente do governo e das corporações norte-americanas. O vídeo se chama a “História das coisas”. E alimentou toda essa reflexão e inquietação em mim.


Re-resposta ao Yuri. (finalizei o poema)

Bom, eu e o Yuri acabamos montando um poema juntos, foi muito legal, mas ainda está sujeito a mudanças. Acabei mudando umas coisas também. O processo está todo aqui e no blog do Yuri.

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quero não me ver mais,
poder acordar e saber que inexisto
mergulhar em mares sem sais
e queimar tudo que visto
e queimar tudo que assisto
e queimar tudo que insisto


se ao menos tivesse eu visto
o que esse fogo fátuo traz
se queimasse esse misto
de pedras e gelo e sais
se tivesse me dito
queimado mais
queimado tudo que existo
se eu resistisse à amnésia, à apnéia, ao fogaréu
haveria de queimar tudo que é céu?
haveria queimado o que resisto?

ou afogaria minh'alma em papel
acalmando o incêndio de riscos
tortuosos que incriminam o réu
que pôs fogo nas lendas que invisto?
o querer é não me ver mais,
esquecer meu coração-cisto,
abismo que engole e desfaz
o viver que me era benquisto.
mas se o fogo consumirá o que é céu
queimará também o que é chão
não é esse o desejo infiel?
não é isso que implora a razão?

talvez essas chamas chamem por Cristo
e incendeiem os campos dos céus.
que sou eu? sou um cisco,
sou um confesso revel
que quebra os princípios,
sou o que não merece, ímpio,
que está destinado ao inferno, ao abismo,
mas não entende nada disto
o que consome esse fausto fogo eterno?
o que consome esse fátuo fogo interno?

o que distorço ou o que revelo?

sou furor em chama nascente
(preso ao bolso ou ao colo materno?)
sou o clamor de um povo descrente.
que sou eu? um confesso enfaro.
acordado. sabendo que existo
mergulhado em rios salgados
e enforcado por tudo que visto
e aleijado por tudo que assisto
e humilhado por tudo que insisto.


Resposta ao Yuri (continue também, por favor!)


quero não me ver mais,
poder acordar e saber que inexisto
mergulhar em mares sem sais
e queimar tudo que visto
e queimar tudo que assisto
e queimar tudo que insisto

se ao menos tivesse eu visto
o que esse fogo fátuo traz
se queimasse esse misto
de pedras e gelo e sais
se tivesse me dito
queimado mais
queimado tudo que existo
se eu resistisse à amnésia, à apnéia, ao fogaréu
haveria de queimar tudo que é céu?
haveria queimado o que resisto?

ou afogaria minh'alma em papel
acalmando o incêndio de riscos
tortuosos que incriminam o réu
que pôs fogo nas lendas que invisto?
o querer é não me ver mais,
esquecer meu coração cisto,
preamar que engole e não traz
o amor que me era benquisto.
mas se o fogo consumirá o que é céu
queimará também o que é chão
não é esse o desejo infiel?
não é isso que implora a razão?

-

quero não me ver mais,
poder acordar e saber que inexisto
mergulhar em mares sem sais
e queimar tudo que visto
e queimar tudo que assisto
e queimar tudo que insisto.

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Pilhas

Pilhas. A vida anônima de Rosa havia se tornado mera questão de recarregar suas baterias. Esperava a ascensão solar em sua cama ao lado de alguém que não mais conhecia, mas que insistira com cega fidelidade em chamar 'amor'. As pilhas agora descarregavam muito rápido e o vazio que elas deixavam em Rosa a fazia pensar e sentir dor (qualquer pessoa sabe que pensar dói). Sua falta de energia era diagnosticada como tristeza. Vários remédios a acariciavam em sua poltrona, enquanto ela se cobria de livros e fantasias.

Rosa adorava as orgias francesas, algumas até despertavam certos suspiros femininos tão bem conhecidos pelos bons amantes. O difícil era quando a porta sussurrava o barulho de chaves e ela tinha que interromper sua volúpia para encenar um sorriso de bolo de fubá. Os relógios cansaram do tédio daquela casa e do abandono da vida próspera de um casal de bem. Rosa então seguiu Alice e foi parar em uma toca de coelhos. Havia muitas cores onde se intitulava 'preconceito', mais cores que em todos os prédios asfaltados de sua cidade.

Rosa sorria. Suas pilhas estavam cheias e pulsantes. O bar rangia tantos instrumentos e lábios que os seus sentidos pediam socorro. Havia um barman loquaz à sua frente e logo ela descobriu que era muito comum as pessoas virem ali pra chorar e fazer amor, depois se fantasiavam de pedra novamente e voltavam para seus escritórios. Ele a ofereceu uma porção de cebolas -- como se fazia na anciã Adega das Cebolas* alemã --, Rosa aceitou com temor. Ao descascar as cebolas, a loira desbotada percebeu que era um ser taciturno e que mesmo as lágrimas compradas não lhe traziam alívio. Sentiu as garras frias da solidão e a forte dor que alertava a necessidade de novas pilhas.

Foi quando uma morena apetitosa, com cheiro de frutas e cigarros de canela sentou ao seu lado e limpou o grande borrão de sua maquiagem, o grande borrão de dor. Rosa banhou-se de negro e ouviu músicas francesas acelerando o coração. Teve sua mão direita agarrada e foi jogada em uma cama qualquer, onde, pela grande fertilização de suor, brotavam pessoas nuas. Rosa era beijada por mil bocas incandescentes. Rosa era amada por mil anos adolescentes.

Em outra cama -- essa com espaço apenas para duas pessoas -- um ser que se confundia com uma sombra ordinária acordava pontualmente. Olhou para o lado e estranhou o vazio, apesar de não ter se incomodado. No resto de cama havia uma pilha de pilhas usadas manchadas de sangue por algo úmido em seu cume. Vestiu os inseparáveis óculos e percebeu que não a veria mais. No ponto mais alto do monte das pilhas repousava uma lasquinha mínuscula do coração de Rosa. Nela lia-se: ''saudade''.

Ela estava livre.

* Referência ao livro "O Tambor".

.
.
olhei nos olhos do boi qu'eu ia comer
e derramei lágrimas no bife acebolado.
olhei nos lhos da puta qu'eu ia comer
e derramei lágrimas por mais um crack estalado.
olhei nos olhos dos olhos que morriam na tv
e derramei lágrimas por tantas vidas de martírio...
.
E hoje de manhã quis salvar o mundo!
,
olhei nos olhos d'um menino-mendigo
e...
puta que pariu, como fedia!
.
moral: viva a eterna hipocrisia!

Perfume

Já era tarde
Chegou em casa acabada
Meia-calça rasgada,
Maquiagem borrada
Olho roxo, gozo em suas coxas
Vergonha de viver, de aparecer
Caída no chão, vestido apagado
Silêncio morto de um grito desesperado
Lágrimas.......................
......................Perucas
Drogas......................
........................Perfumes
Não queria se lembrar quem era
Passou heroína
Injetou perfume
Caiu, vomitou, afogou.
Amanhã os doutores não teriam diversão
Foi-se a loira mal-amada
Mais uma ninguém se juntou
[ao nada.

Cinza

Cor dessa cidade escura e fria
Onde a burguesia histérica e carcomida
Pisa no lodo fétido da rua quinze
Olhando para o vazio de sua vida
Desperdiçada em álcool e imagem numa Batel
(Ou Babel?)
(

Não, você não era nada. Nada mais que um vestido ao lado da cama. Alguém que acordou cedo e me deixou com cheiro de ontem, de vários ontens iguais. Nada mais que minhas olheiras no espelho solitário, ou que uma sujeira no lençol. Você não era nada, mas plantou perfume em meu tapete e esqueceu um corpo sobejo na cama, um corpo que abraçava travesseiros. Agora olho a ressaca no espelho, olho-me o nada. É tarde. Já perdi seus passos. E fiquei sem nada.

)

Resposta ao Anônimo

Já são 4:42 da matina e eu resolvi passar pelo blog antes de novamente tentar dormir. Descobri que tenho um leitor que também tem insônia e que resolveu deixar um comentário que, antes de tudo, quero agradecer. Antigamente eu tinha mais comentários assim, alguns me xingando bem mais, mas fazia um tempinho que eu não escrevia "abaixo o motherfucker sistema capitalista!"
Ah sim, o comentário tá no post anterior e agora aqui também:

"É culpa do capitalismo! Na URSS, em Cuba e na China não há violência, nem crime, nem nada. O motivo do assalto foi o desgosto que o cara tem perante o sistema capitalista submisso ao imperialismo estadunidense-europeu. VAI NESSA!

ACORDA NEGÃO, a vida não é essa brincadeirinha ideológica imbecil. Você pode fingir que não faz parte do sistema, mas no fundo você é mais um covarde que não é homem o bastante pra levantar a cara e fazer alguma coisa DE VERDADE pra mudar a sociedade. Te dou uma dica, tentar derrubar o capitalismo é impossível, ainda mais sentado com a bunda em frente ao computador. Não é a ideologia que vai melhorar as coisas, mas suas atitudes. Abra a sua mente! ACORDA!
ACORDA!
ACORDA!
ACORDA!
(...)"

Antes de tudo, eu não sou comunista, nem socialista, nem anarquista. Eu até quero ser comunista, mas não consigo acreditar que isso vá ocorrer, além de eu achar muito doido que um burguês tenha criado uma ideologia que a plebe tem que seguir pra se libertar, sendo que eles nem participaram da criação dessa ideologia. Faltou citar a Coréia, que é outra merda.
Quantos aos xingamentos, você me odeia, portanto deve me conhecer, ou achar que me conhece, de qualquer jeito relevo essa parte! :D

'derrubar o capitalismo é impossível' - nem é, larga esse fukuyama.
'ainda mais sentado com a bunda em frente ao computador' - normalmente eu escrevo deitado.
'Não é a ideologia que vai melhorar as coisas, mas suas atitudes.' - mas que bela ideologia...
'Abra a sua mente!' - "gay também é gente/ baiano fala oxente"

'Você pode fingir que não faz parte do sistema' - e você pode fingir que faz parte dele.
'O motivo do assalto foi o desgosto que o cara tem perante o sistema capitalista submisso ao imperialismo estadunidense-europeu.' - gostei dessa tua frase, percebi a partir dela que o ponto principal do meu texto foi ofuscado por uma crítica ao capitalismo. o que eu queria com o texto era botar a questão se continuamos valendo algo no mundo contemporâneo, ou se algum dia valemos...
'ACORDA!' - tô morrendo de sono...

Desencana aí velhote, não falei que ia mudar o mundo com o texto do ladrão. Talvez você tenha lido meus textos de anos atrás e achado que eu estagnei naquilo, sei lá. Também te deixo com um "Abra a sua mente!", não precisa odiar o vermelho. Acho que entendo o que você quis dizer, talvez você seja um cara que já se fodeu muito com esse (amado?) sistema e se desiludiu muito com qualquer promessa de pote de ouro no fim do arco-íris. Ou seja só um playba que quer continuar lucrando até o mundo parar de girar. Respeito tua opinião, mas na próxima não comente anônimo, ou pelo menos reavalie teu entendimento da palavra "covarde".

Se qualquer leitor quiser conversar comigo pode deixar um email que mantenho contato. Abraços e deixo uma música muito boa do MGMT chamada "Time to pretend" (peguei a letra num site qualquer, nem li pra ver se tá certo).



Time To Pretend / Tempo de Fingir

I'm feeling rough I'm feeling raw I'm in the prime of my life / Estou me sentindo forte e vivo, no auge da minha vida
Let's make some music make some money find some models for wives / Vamos fazer um som, ganhar uma grana, escolher algumas modelos pra casar
I'll move to Paris, shoot some heroin and fuck with the stars / Vou me mudar para Paris, injetar heroína e foder com as estrelas
You man the island and the cocaine and the elegant cars / Você é o encarregado pela ilha, a cocaína e os carros elegantes

This is our decision to live fast and die young / É uma decisão nossa de viver rápido e morrer jovem
We've got the vision, now let's have some fun / Nós tivemos a visão de mundo, agora vamos nos divertir um pouco
Yeah it's overwhelming, but what else can we do? / Tudo bem, é impressionante, mas o que mais poderíamos fazer?
Get jobs in offices and wake up for the morning commute? / Arrumar empregos em escritórios e acordar de manhã para viajar à trabalho?

Forget about our mothers and our friends / Esqueça nossas mães e nossos amigos
We were fated to pretend / Nós fomos destinados a fingir

I'll miss the playgrounds and the animals and digging up worms / Vou sentir saudades das brincadeiras, dos animais e de cavar procurando minhocas
I'll miss the comfort of my mother and the weight of the world / Vou sentir saudades do conforto de minha mãe e do peso do mundo
I'll miss my sister, miss my father, miss my dog and my home / Vou sentir saudades da minha irmã, do meu pai, do meu cachorro e da minha casa
Yeah I'll miss the boredom and the freedom and the time spent alone. / É, vou sentir saudades da chatisse, da liberdade, e do tempo passado sozinho

But there is really nothing, nothing we can do / Mas não há nada que possamos fazer
Love must be forgotten, life can always start up anew / O amor deve ser esquecido, a vida sempre pode recomeçar
The models will have children, we'll get a divorce / As modelos terão filhos e nós nos divorciaremos
We'll find some more models, everything must run its course / Encontraremos outras modelos, a vida deve seguir o seu curso

We'll choke on our vomit and that will be the end / Nos afogaremos no nosso vômito e esse será o fim
We were fated to pretend / Nosso destino é fingir

Yeah yeah yeah / Yeah yeah yeah

A última pergunta de um assaltante

Não há nada mais rotineiro em uma cidade grande do que assaltos. Hoje eu atuei no papel de vítima no centro de Curitiba. Minha distração deve ter sido um convite pro cara com quem conversei uma meia-hora. Foram-se 20 reais. Você deve estar pensando que é pouco, mas foi só porque não deixei que ele pegasse o resto. Tive uma conversa surreal com o tal do 'S', com momentos sorridentes e outros de pavor quando ele me ameaçava com sua suposta arma. Os minutos escorriam devagar e aos poucos fui dando passos à civilização. Quando ele pediu educadamente para ver meu Ipod, eu, também muito educadamente, falei que se tratava de um presente e não seria possível ele o tocar. Vi o ódio brotando e então ele formulou uma última frase, que foi como um tiro de pistola em minha mente:

"Essa merda vale mais que tua vida!?"

Eis que me vejo filosofando 4 e meia da tarde sobre uma ameaça e um sol escaldante no meio de uma praça e de um mar de gente. Não consegui responder a pergunta. Antes disso 'S' se assustou com algo, cumprimentou-me e foi embora com 20 reais que, segundo ele, "não servem pra porra nenhuma!" Semi-corri na direção oposta, afogado numa multidão que entardecia junto ao meu medo. No trajeto do ônibus ecoou na minha cabeça aquela última pergunta. 'Será que um Ipod vale mais que minha vida?' Pensando de acordo com o mercado pode-se dizer que sim, já que eu não produzo nada -- leia-se trabalho. E a um estranho que pode escolher entre mim e um Ipod? E a qualquer pessoa? E a mim? A evolução suicida do capitalismo inventou em suas sombras renegadas um novo tipo de escambo: vidas por dinheiro. Se bem que, pensando bem, esse é o mandamento básico de nosso querido sistema. Venda sua vida! Mas e aí, "essa merda vale mais que sua vida?"

E essa porra de capitalismo, vale mais que uma merda?
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palavras definhando no papel
a acriatividade úmida que me corre as veias
e me deixa inerte em terra sem céu
de concreto babilônico e preceitos com teias

a melancolia do porvir me enterra
.........................................e encerra
a fadiga do buscar descanso,
por isso danço
a melodia lúgubre e aquietalhada
de roupa esfarrapada,
mas com coração na mão da mão que guia,
e sem querer aos passos o mundo rodopia

um tom errado toca minha canção
no papel que por desleixo foi poetizado,
amargo anfitrião
que sou de mim mesmo: bem-vindo convidado

arrisca-se em demasia ao ouvir a orquestra de meu grafite
que lhe suja os olhos com signos de cinzas
de minha vida de cacos e noites de rebite
sem sono e sem sonhos, suicídio da alma

mas se a curiosidade é tamanha
(criança que nunca apanha)
abra a janela que cospe raios à noite sem meta
as palavras em morta chama, molduras de um poeta

são palavras que agonizam na palidez do papel
que se rasga numa justa por princesas
que se gasta em preceitos das nobrezas
e incendeia na malícia da rima sem véu
que mostra a cara e as coxas,
causa o choro e o gozo,
e lambuza as mentes
e desfaz os inocentes
e recria o mundo!
com sol que chove das nuvens à meia-noite
e preenche de medo os leitores curiosos
........................e ambiciosos
das rimas desertas
.....................dos incertos poetas

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