eis que me pego um dia
tão desapegado

eis que me enxergo um dia
de tão nítido, ofuscado

eis que me encontro um dia
já partido do onde e do que fui.

O mesmo céu

A solidão engoliu os meus passos
Em mais uma noite geloassobiada,
Aqui os laços são tão escassos,
Volver nos mata aos pés d'Armada.

Caminhos urdidos são falidos
E a crença na esbórnia é aclamada,
Estrada em trapos e passos fodidos
- Melhor que a enxada e as costas arcadas?

Oh, estrambótico pixel-viver!
Onde as cores empalidecem as artes,
O blues era azul no anoitecer,
Mas as cores do alvorecer nos cortam as faces.

Engoli a solidão em desespero
Crente de estar, há muito, além-mar,
É quando sóbrio velejo e vejo espelho:
Sou igual. Milimétricamente. Sonho afogar.

Preparo a corda e o acorde
Mesmo em desacordo com as expectativas,
O laço de gado no pescoço - a morte.
As cordas de violão engatilhadas - pulsivas.

Taciturno tacanho tálamo d'um tartamudo
Inculpado inane imorredouro idiota,
Faltou química, amor e tudo
Que sempre em rima palavra capota.


Falta lenha

Falta lenha para o frio de Junho. Faltam pés pra girar o mundo.

Que enquanto eu não estiver por aqui,

o aqui seja louco: