hálito poético



tanto em minha vida é pressuposto
oposto do conto, a postos o canto
decifra-me o manto do
tédio
sóbrio, soberano
vício do monótono


há linhas
há lito
...............poético,
como é patético
acreditar em liberdade...


miro todo o impossível
refletido em seus olhos
e na certeza inacessível
luto por mais

sonhos
por mais.


e é no espelho o desencanto
- no medíocre a aptidão -,
a crença é o manto
e o espanto da dissolução

mas
ainda

te procuro à bruma dos meus conceitos
(e me amarguro por não ser perfeito)
solidificando-me só, com meu hálito poético
- arquétipo escravo de um não-ser patético.


fênix



ergo em fúria o crânio malogrado
cansado depósito de desditas mil
funil transparente de prisco desapego
ergo em escombros a sorriso febril

da espiral manca da História
injeto inglória
engulo a escória
e afogo no incômito vômito dos meus sonhos

tacanhos, porém de faustas lentes
- e falsos dentes -
munido
espero.

e
no mais puro desespero
golpeio o ventre da cegueira
que cavei em meus olhos
com minhas próprias
unhas

não há sangue, nem dúvida
nem porra
nenhuma

ou alguma
chance que me canse
numa nova
dialética de esperar:
sentar, levantar, militar
ar,ar,ar...
onde
fui parar?

é por tanto
- ou por tão pouco -
que rouco me afogo
no empírico
etílico?

é por pranto
- ou pelo gozo -
que irrompo
noutro morbo
corpo?

são as dúvidas
que me afogam no
foda-se

são as crenças
que me rogam o
luta-se

e (todos) me enganam com escolhas.

ouço o sol apagar outra vez
à tez petrificada, recém arruinada
de fênix em espiral
que já nasce pra morrer.