Pausa

algumas mudanças na minha vida. falta tempo e força nesse fim de ano. vou ficar um tempo sem postar. hoje uma música me resume:

rotina III


meus dedos navegam tuas curvas
enquanto meu coração se aquece
no esquecimento,

encaro-te.
e no mais fundo grau de tuas lentes
enxergo-me
esparramado
noutra noite que minha mãe chora

teus olhos, os dela e os dele
todos me perguntam
afirmativas retóricas,
por que há de existir amor?

por saber da irrealidade romântica
transvisto-me poeta
e engulo tua baba
na simples esperança
de ter o intangível

sorvo seis mil poesias
com teu vinho barato
e ao alvorecer
vomito mais de
seis mil lágrimas

me pergunto por onde andarão
elas e eles
que algum dia
ao meu lado estiveram

me pergunto tanto...

e enquanto meu rosto se lava no espelho
só há uma verdade a ser dita:
la solitude n'est que moi au miroir


piso em minha sombra
enquanto me esforço em te esquecer
dois minutos após
teu beijo de despedida

"onde estavas", perguntam-me olhos cansados
de mentiras,
olhos que negam a verdade.
"fui ao parque, maria"
e assim borras tua face-maquiagem
tão magistralmente quanto quando
te borrava de porra.

sigo a escalar minha sombra
cada vez mais longa
ao aproximar do fim
do dia

procuro em minha agenda um número
qualquer,
mesmo que seja repetido

pois não há alimento maior à solidão
que dormir com um corpo
esquecido.


-



desgosto crescente
é quase como um câncer
merda só
merda,
sorrisos amarelos.

- preciso de mais um trago.