moi: l'Autre

a única (p)arte que me resta
seuljeito/sujeito:
(des)conhecimento:
δόξα/d'oxi
pulsão-
já morta

criar pour crier
éxige a destruição
do (eu-)mundo

vide I

conservarei meu coração a sal e sol
até que o sumo silêncio que sonda-
te vida, suave seja ao rouco sopro
de minha surrada carniça

conservarei meu coração a lua e fel
até que o mel - lindo lambuso de
louça - lamba-me a boca-oca
da pouca saliva monolíngua

conservarei meu coração a óleo e pão
até que o não que me corrói a mão,
o senão, o tão e o vão, obrigue-
me são, sem somos, sem sou

conservarei meu coração
além da vida, da crina, do chicote
do capote, da ruína, da decaída além
de conservar minha cor ação minha
conservarei-te também
a sol e fel
a óleo e lua
a sal e pão
conservarei-te como filha, como ilha
como nada, como cada
gota de lágrima
jorrada

conservarei meu coração a sim
e assim, sincero, solene, solitário
hei de soar como o poeta-sentido
que mais te amou por teres vivido