o banquete


estrangeirx errante perseguidx

festivx viajante-expulsx bacco

diversão amor vinho pulso-ido

o banquete e os corpos: oferenda

-t'a ba cc o pois noite riocorrente

três coletividades copulam a senda

da Verdade que quer afirmar-te

 Dios nosso : Dionísio !


*poema de divulgação do sarau dionisíaco do coletivo maio

O após-tolo

"Mas carregamos esse tesouro em vasos de 
barro, para que uma força muito grande seja
 atribuída a Deus e não a nós". (2Cor. 4 .7)


...num abismo colossal. Tragado impotente, Damião nasce. E como argila, os anos e as mãos lhe transformam em vaso - que carregaria um tesouro, como ensinou o apóstolo Paulo. Cria-se bem, acolhendo sonhos e desejos comuns, aperfeiçoando a sina dos ninguéns. O local é classe média baixa, periférica ascensão latinoamericana. Cumpre matematicamente estudos, crenças e obediência. Torna, torce, retorce, retorna. -Se. 

Há uma marca no tempo. A pública universidade distorce o retorcido Damião. Consciência, possibilidade, crença, ausência mutante. Engaja-se. Re-conhece o exconhecido entorno. Percebe a interferência do lucro, a persistência da morte. Almeja vida, plenitude, um pleno todo. E nesse plano, perfeitamente mundano, engaja-se. Agacha, limpa o rosto da graxa e ergue a bandeira da vida. Muitos mais aos seus lados, como semelhantes aleijados, gritam, quebram, esmolam-se sonhossendo. Desiguais. A vida grita por desistir à morte, Damião percebe, reconquista e torce e torce. E seus desiguais, nem tão aleijados assim, voltam a suas bolhas surdas, insistem em existir na paranóia. Damião queima a bandeira, pois "pouco importa a bandeira para a classe", grita, regurgita e retorce. E na classe - de aula, de nada, de protoalgo - demora, agora, agora. "Tempo, onde estais, tempo. Em quais anos perdi tua mão, perdi meus bons olhos, meus amigos, minha rua perto da esquina. Tempo, quanto tempo, caídos num poço externo, alvejados por tantos mitos, calejados de pouco manto". Manhã, tarde, noite, algo menos algo mais, ali acolá, a bandeira persegue, engole, rasga Damião, que queria construir o que o Dia chama Vida. O estudo é imposto, de um lado ou de outro, queriam-lhe apenas como pernas e braços, convencidos por um cérebro fatiado. Crítica veio: falada, escrita, normalizada, defecada e exclamada por Damião. Mas o rolo intransigente da companheirada renitente calou a voz desconfiada. Torce, retorce, que um dia te distorcem.

Seus fiéis amigos agora precisam trabalhar. Agora precisam estudar. Agora precisam morar, comer, dormir, adaptar. Seus fiéis amigos perderam a crença, caíram no mundo, caíram na morte. "Estamos todos fadados a vomitar a maçã que comemos. Aproveita que tens um pouco a mais que aqueles que morrem na fome e acerta tua vida. A militância da esquerda é apenas um túmulo ético, Damião." No frio preciso das noites sulistas, soluços e soluções concebidas. O fogo ainda arde, Damião não se retira. Com seu pano pouco, sua madeira molhada, cria a bandeira de novo, cria a bandeira louvada. E nos trajes incertos, nos alimentos baratos, panfleta a verdade, a Verdade indiscutível do Ser. Ignorado pelos desiguais companheiros, que no mármore nasceram e no ouro perecerão, companheiros que no máximo sofrem de um sentimento cristão, Damião gasta sola e no solo finca a bandeira. "Por mais que meus fiéis amigos hoje se sintam desamparados. Por mais que a morte nos persiga, que o capital nos triture. Por mais que a cegueira nos cobice, que o Nada seduza. Por mais que eu possa simplesmente das as costas. Por mais que o mais me ofereça, a Verdade precisa ser dita". E num ato cosmopolita, ato de carne e espírito, Damião se sacrifica. Perde as aulas, os rumos certos, o ensino, o trabalho. Perde os sapatos bonitos do avô e do pai e as roupas amadas da avó e da mãe. Perde o peso monumental do esperado por uma chama de esperança.

Luta incessantemente pela destruição do passado. Não vê mais sentido no resgate do resgatado. Quebra cruelmente as estátuas louvadas pela esquerda e pela direita. Envenena com a verdade todos os partidos. Ataca impiedosamente os falsários do novo. E com suas mãos e outras mãos junta o barro perdido. Torce. O barro que somos. Retorce. O barro que habita. Distorce. E ao barro imundo, mundano, Universal, juntaram-se as mãos roídas pelo tempo. Transtorce. E num ato que se dizia final, Damião criou o Vaso. "E nós, nada além de nós, somos aqui e agora: Deus, Cosmos, Tudo e Nada."

O vaso possível ao tesouro compartilhado: Vida.

Os espelhos, os olhos


Aceite meu coração e minhas dúvidas como prova de minha fé. Ordálias, inquisições e torturas não mais satisfarão meu sadismo infantil. Aceite meu corpo como santuário sujo de um mundo errado. Compremos mais cascas para alimentar nossa insignificância totalitária. Aceite meu copo de plástico como presente sincero. O céu anda menos vivo e as estrelas revelam-se tumbas magníficas. Tumbas de uma ressignificação humana. 

Aceite minhas mãos em suas mãos. Minha boca em sua boca. Meu desejo em seu cortejo. Aceite uma lágrima feliz escondida entre um infito oceano de pranto envelhecido. Sou uma pequena alma triste em mais uma cidade estuprada por interesses egoístas. Aceite um abraço antes de dormir, em que a transmissão de calor seja suficiente para eu acreditar que estou vivo.

Aceite meus erros que enraizaram esse meu ser insuportável. A arrogância tomou conta da solidão expansiva. Aceite meus cigarros à varanda, minhas bebidas baratas, é um paliativo necessário da rotina dilacerante. Um dia sonhei que andava com a cabeça leve sob um céu iluminado. Ouvia o vento declamar poesias de tempos que não vivi. Ouvia meu coração destruir sua própria lápide.

Aceite meu coração e minhas palavras. Minha mudez e minha nudez. Minha impossibilidade de não centrar este texto em mim. Aceite meus pés que fogem, minha mente que esvazia, minha memória que alucina. Os dias e as noites viraram apenas dias e noites. Minha pequena contagem de tempo é a fé num nós harmonioso. Aceite meus olhos cansados.

O meu transporte é calmo agora. As ondas, as intempéries, os tufões e os rumos inexatos do sol deixaram em mim marcas: em meu rosto, em minhas mãos, em minha pele. Marcas que não esqueço. Marcas que em ti também vejo. Por isso te aceito. E espero que novamente possamos vestir o agasalho comum de nosso amor e de nossa amizade.

c. O










*

seu céu seu sol
seusóisão so  Ó  
há numero cáos 
um ato um mo- 
re sós seus sóis
nascéu  nosseus
seissóisseus O só
sem céu sem sol
só a(to)more só
como  O  cosmo
O rat o rastro O 
centro  limpos-
sível Oh rivel ri
-ver fluxo rítmi
co sssssssss mo
um átomo é Um
Ser um céu seu
sol sem só sem


um ponto qualquer: um seja! inquestionável irrompe o ovo: big bang, deus ex machina! matéria anti-matéria energia. lutamor construtora, fé cega em implosão. 


seu céu seu sol
ser não ser sim
homem amém
homens amem
só seu só sal to
no (w)here  on
-de pois se sóis
são só o pão da
luz pão da   flor
pão do fruto  O
pão da fhomem
amém    system
sem como sem
cosmo  só  sós 
sem   sóis   nem
sais nem souls
sem céu sem sol
ser  Ó  semente


na terra dos seres, no solo dos tempos, plantada está a possibilidade. o homem se suicida inconscientemente no verdourado Nada. econômades tantos, canibaixos estátuados. o plástico e a lente con-formam a v-ida. os olhos amam o chão e o céu foi dissolvido num mito cristão. welt ex machina.


eu céu eu só O
seu sol eu sou
um   onde   um
quando  e  um
quantum sem
senda o sendo
o átomo total
o parto-me to
all o málltomo
o   quer/tomo
agonia     póst
-uma  ciência
abstrata  uma
arte concreta
una senda pos
sível river hiv
er ex em el eu
co(s)mo tudo