eixo difuso


os pés de bruna -
os pequeninos pés
de bruna,
percorrem de chão
calçados noites e
dias descamados

sem cama bruna caminha
rumo ao mesmo chão
que cama -caminha-
dorme: pois bruna
é
criança ruaníssima

preta nem pobre
infância negada
ela caminha
ainda que saiba o
círculo percorrido
da infância que não

pertence à caminha
da rua que bruna anda
ainda anda: vai – e logo
dispersa menina se não
te corro te como te sento
na caminha descabaçada

e ouve criança houve
tempo que cama de gente
caminha quentinha era
posse acredita? podia
dormir comer viver e
caminhar no vento.

você inventa um nome
bruna tenta um dia
hoje inventa um algo
meigo tenta um tanto
muito inventa um verbo
e posso um caminho?

diz ela enquanto caminha
com mais onze moleques
fedendo a vida vivida
escola dita bandida
- é
um dia de pé no chão.

pé de bruna e de outra
e outro que nem sei o
nome qual seja pouco
ou muito a importância
diminuta e essencial
da compreensão da

caminha que ela quer
chegar nalgum lugar
pulando ali dentro do
particular invadido
(ocupado!) corrompida
com pés sujos de chão

chão de gente
que também se chama
bruna
e caminha descalça
enquanto cama e vida
não existem fora-tela

de rua de cidade de
nada adianta pro
paganda pagã pro
pobre cristão que em
esperança caminha
sem cama sem nada

no pé fora chão esse
chão de história que
sabe bem que a hora
de chicote no lombo
se esgota e a marca
do pé-escória será

o divisor praqueles que
construirão a hora o
dia a noite e acabarão
com a fome da filha
e a dor da mãe e num
dia pé-no-chão

construirão para bruna
a cama
caminha
da criança
no caminho
daquilo que sim

Lã e Lá


desfio-te em tempo lento
(sento, sinto: vento vem
todo lento: tinto ou tento)
'inda que o frio l'aquém

de tanto tempo - lento, le
n t  o , l   e     n      t     o-

tente apagar o pensamento
(vem vento o ventre volta).

desfio-te. um desafio ameno
e um fio a menos. O, sinto o
frio. o corpo treme. enceno:
enfim teu calor perde-se ao

lvento vlento nvtole v

os milhares de fios - teu corpo qu(s)ente - pousam em f(m)im nos nós qu'enfeitam a nossa tímida in-significância sob
 os milhares de fios - nós que começamos desfiados, desfiandos, desfiárduos, desfiapos, pequenas presas do  l/v/s/t/w

e    nnn 
nn


to (my love)