teu agora distante


criança salina: pedra de seca
uma quase-ilha a sertão pouc
o - sermesmo - o ser nada que
seca o sexo a soco: f ilha-me

sombracolhida vida, o quase
no sempre. o todo em falta o
muito em excesso. aí te olhas
rapidamente como a farsa de.

choras não-culpa perante essa
menos-vida ali frustrada, corre
do espelho que te feias e não
borras: negação maquiôntica

é bela a afirmação da tua és
sência - natureza materialista
do resistencialismo cotidiano
- teu espelho: o olho-próximo

a criança empedra no teu ser
de casulo refugiado. naquele
passado quiseste um mundo
pleno sem infanticídio diário

hoje apagas a ti mesmo e a
nós todos que aqui existimos:
foges chorando máscaras,
foges quebrando espelhos