tic


pés tu que me acolhes no canso do dia que dia
no dia do dia que canso do dia que dia mais dia
o dia a dia o dia o dei o dia e canso e dia e ah

acordo na cor do céu e corto o seu tac e o seu

atento


cose grifos adonde passes, conselha
o mentor anônimo de minhas preces

hoje fui socorrido na igreja por senhoras bem educadas
mal pude recompensar-lhes
mal pude compreendê-las
curaram me disseram e sorriram para meus novos traços
eu ainda podia sentir as dúvidas dos adultos da minha infância
e agora era homem

me contive abstrato

mantive um futuro firme pelas mulheres da igreja
pois mal pude recompensá-las quando o lenço
absorveu as lágrimas e meus sapatos perderam o nó
mal pude agradecer-lhes por enxergarem meu homem
e pagarem dízimos ao meu senhor
e escovarem nossas bocas de hálito e perdão

trago trimestralmente um dos nossos para o domingo
lemos os testemunhos do espírito e sacrificamos
ó pai eu digo e sinto falta desse homem
ó pai eu digo decanto as mulheres na igreja

nunca fui religioso mas hoje fui socorrido
por aquelas que me amam como um cão
faminto por aqueles que me amam
como um casulo vazio
pois sabem que prometi a verdade
e sabem que a verdade é o perdão
que não pude agradecer no dia que viram-me
homem eu confessei 

cose grifos adonde passes, disse-me 
pois eu era tímido em minha garganta 
afogada de segredos


ah, verniz


nublado o município é um dom divino


besouros extinguem-se na busca por distopia


há um catálogo de coisas mortas nos livros das crianças da escola


o mijo na caatinga de concreto ecoa o oceano


caiporas urbanas permanecem a reciclar


a paisagem


redito


      ali
  se ali
    cê  

mas

    só 
   se ali 
     cêflor

intrané


do holofote do músculo,
da samambaia, do espelho,

(it: isto(o) entre mim e vós)

espero o fausto poente:
um log-off-eternamente.

e no não-tempo mais sempre,
direi: fui-me melhor me indo

lá onde há luz, flor e gente.


    conciso
consigo
     sorriso?