lá se foi ele e eu chorava.

no meu sonho havia
árvores e folhas
e eu nada mais enxergava.
não havia caminhos
sons ou mapa,
mas eu caminhava
por entre as árvores e
as folhas. talvez estivéssemos
a brincar de esconder
como na infância interiorana,
caçando-nos quais bichinhos
irracionais no meio da mata.
onde estaria você?
ameixeira mangueira cipó
na roseira ou no gira-sol?
no meu sonho havia
árvores e árvores. e também
folhas, muitas folhas.
e não havia ninguém.
escondeu-se nas árvores?
caminhou pelas flores?
onde estão as flores do meu sonho?
talvez você tenha ido embora mesmo
e o que restou de mim foi
esse lugar óbvio.




límpida


o meu peito dilata a água que
me filtra. há apenas pedras
e areia em meu aquário
amadeirado. talvez você
se pergunte em que canto
foram parar os peixinhos
as algas e os crustáceos.
eu não sei. em mim há
apenas um aquário
amadeirado que me filtra
a todo o tempo e
borbulha certa ausência
em minhas pálpebras.

torção e frenesi


castra-te se te impinges pena
a mira erótica de nossas pernas

          mas faças a faca e forro
           qual coração pingente
          qual coração gomorro

castra-te se te impinges pena
o amor alheio de face serena

          mas castra também
           tua casta  que ladra
          enquanto te afastas

castra-te se te impinges pena
a vida ausente que não te acena

          mas olha-te mutilado 
           e rústico  e reconheças 
          nosso próprio

         acústico
                              osso
    torcido
                                partido
       pescoço
                            findo

frenesi em teu olho de corvo
                                             
                                 : meu corpo